Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED) indica que as dores crônicas atingem 37% dos brasileiros. Em uma escala de 1 a 10, os entrevistados relatam nível de dor acima de 6, intensidade que já é suficiente para prejudicar as atividades diárias. Em média, o problema começa a aparecer a partir dos 40 anos e é mais frequente entre as mulheres.

Ainda segundo o estudo, as dores mais comuns são as de cabeça, no pescoço e na lombar. Entre as principais causas estão a má postura, o esforço repetitivo e o sedentarismo. O estilo de vida atual também aparece como fator que piora o quadro e até o uso de computadores e smartphones podem intensificar a dor, pois compromete a postura e sobrecarrega a cervical.

Pensando nisso, preparamos este artigo para esclarecer as principais dúvidas sobre as dores crônicas. Continue a leitura e saiba mais sobre o assunto!

O que são as dores crônicas?

A dor é uma sensação que surge como defesa do organismo e é essencial para manter a sua integridade. Quando algum tecido é lesado, ocorre a inflamação e a liberação de substâncias químicas que são imediatamente identificadas pelas nossas terminações nervosas.

Em seguida, um conjunto de neurônios é encarregado de transmiti-las para o cérebro. Esse impulso é percebido, localizado e interpretado. Quando a dor acontece de forma errada ou exagerada, uma doença é caracterizada: a dor crônica.

A dor crônica dura pelo menos três meses e pode ser mais ou menos aguda, causando uma sensação de incômodo ou de queimação nas áreas afetadas. Além do mais, pode ser constante ou intermitente, ou seja, aparecer e sumir sem nenhum motivo aparente. Essa doença pode ocorrer em muitas partes do corpo, como pescoço, cabeça, coluna e articulações, e pode apresentar diferentes graus nas áreas afetadas.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas da dor crônica variam de pessoa para pessoa. O problema é descrito como uma dor persistente, mas é difícil precisar exatamente em que momento uma dor aguda se torna uma dor crônica. 

De forma geral, a doença pode ser dividida em dois tipos: a dor nociceptiva e a dor neuropática. A primeira está relacionada a uma lesão nos tecidos, enquanto a segunda está ligada a algum dano nos nervos.

Existem diversos casos em que não há uma justificativa clara para permanência da dor. Outro ponto que reforça esse problema é que, no caso da dor crônica, nem sempre um desconforto mais intenso está indica a gravidade da doença.

Como atrapalham o dia a dia?

As dores crônicas podem influenciar negativamente na autoestima, além de limitarem e reduzirem a força, a resistência e a flexibilidade. Com isso, a capacidade de trabalhar ou realizar tarefas e atividades simples do dia a dia fica comprometida.

O desconforto causado pela dor pode gerar alguns sintomas, como irritabilidade, ansiedade, insônia, depressão, alterações no apetite e preocupação com o corpo. Pessoas que sofrem dessa doença já acordam se sentindo exaustas, mesmo que tenham dormido por muitas horas.

Além disso, o sono pode ser interrompido diversas vezes durante a noite por causa da dor. Outro problema comum é a dificuldade de concentração e foco em atividades que demandam esforço mental.

Como prevenir?

O uso excessivo de tablets, computadores e celulares pode colaborar com o aumento da dor crônica. Quando está na posição ereta — ou seja, a 0° —, a cabeça de um adulto pesa cerca de 7 quilos. Na posição de 60°, ela passa a pesar quase 4 vezes mais, exercendo uma grande força na coluna e aumentando a carga nessa região.

Para prevenir esse tipo de dor, é preciso manter uma rotina de hábitos saudáveis, com prática de atividades físicas regulares e boa alimentação. Além disso, é importante estar atento à postura e aos movimentos repetitivos.

Existe a necessidade de fazer cirurgia?

Em alguns casos, remédios e tratamentos alternativos não são o suficiente para tratar as dores crônicas. Nessas situações, alguns procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados, de modo a bloquear alguns nervos que causam a dor ou consertar deformidades ósseas. Confira algumas opções a seguir.

Injeções locais

Alguns medicamentos injetáveis, como anestésicos e corticoides, podem ser aplicados diretamente nas terminações nervosas. Outra opção são bloqueadores neuromusculares — como o botox —, que diminuem a sensação de dor, a inflamação local e os espasmos musculares. Seus efeitos podem durar por semanas a meses.

Radiofrequência

Esse é um procedimento cirúrgico pouco invasivo. Por meio de um aparelho capaz de emitir ondas de radiofrequência, reações elétricas acabam com a transmissão dos estímulos dolorosos. Com isso, as dores melhoram por vários meses.

Cirurgias

Os procedimentos cirúrgicos visam a corrigir as alterações anatômicas e estruturais da coluna vertebral. É possível retirar hérnias discais, corrigir o canal por onde passam os nervos ou melhorar alterações nas vértebras — o que pode diminuir a sobrecarga e amenizar a dor.

Quais são os tratamentos naturais mais indicados?

Existem boas opções naturais para aliviar a dor crônica. O primeiro deles é a boa alimentação. Para isso, é importante evitar alimentos industrializados, açúcar e frituras, além de embutidos e ricos em ácido úrico e oxalato, como as carnes vermelhas.

Um alimento que pode ajudar a aliviar as dores crônicas e que deve ser inserido na alimentação é a cúrcuma, também conhecida como açafrão. Seu princípio ativo principal é a curcumina, um anti-inflamatório e antioxidante natural que pode ajudar a aliviar inflamação e a dor.

Entretanto, o teor de curcumina na cúrcuma não é muito alto — representando cerca de 3% do seu peso. Por isso, uma boa opção são os suplementos nutricionais de cúrcuma. Esse composto é 100% natural e estudos indicam que ela pode ser tão eficiente no combate à dor quanto alguns medicamentos.

O tratamento para as dores crônicas também pode ser feito com analgésicos, porém, a automedicação não é recomendada. Por isso, sempre que uma dor persistir por muitos dias, é fundamental procurar a ajuda de um médico.

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